11 de fevereiro de 2014

O cadáver no catorze

O alcoóletras de ano novo
uma piscina e um leitão
oito amigos novos
e todo mundo muito doidão
fiquei presa no banheiro
mas os cachorro me salvaram
a caneta caiu no mousse de
M.A.R.A.C.U.J.Á.
deixa pra lá
mis cerveja, loud music
dogs
mas nada foi melhor que as gostosas
procurei o vômito na pia
mas a ilusão é mais legal
e o vômito cheirava mal
eu já posso me considerar bêbada?
não por que ainda estou vestida
e fora da piscina
cadê a galera assassina?
tinha um morto no freezer
que era um porco na cortina

15 de dezembro de 2013

dentuço contido

Esse não é um poema sensual.
CASTORES, AMIGOS PALAVRAS
dentadas de um animal
Que não veio, perdeu o
tempo passando fio dental
Pelo menos não comeu meu baseado,
este pequeno demônio dentado!
As coisas que me saem da boca
esse silêncio suado.
DOIS, TRÊS, QUATRO
CABEÇA OCA, DIABO AMADO.
Inferno ardente e desejado.

24 de novembro de 2013

Perfil

Eu sou mais legal no
facebook.
Eu dou share em várias piadas.
O cheiro, a carne com alho.
o bafo no face é do caralho.
Mas bom mesmo é o site
twitter, não tem família
e é um lugar do baralho.
O que sobrar a gente paga.
E este é o fim da nossa saga.
Na foto de avatar,
a moça traga.
O GOLE ESTRAGA.

22 de novembro de 2013

Hambúrguer de picanha

As palavras finais
Os suspiros terminais
Bifes no palito
Águas termais
Fiquei sabendo que tem 
Tablito no potão de 
dois litros.
O duro é divulgar
Chama uns amigos pra amar.
Mas daí não morri.
Quantas curtidas essa princesa...?
REALEZA, DIVÓRCIO, TRISTEZA.
sorvete frio sobre a mesa.

21 de novembro de 2013

Kimono de Papel

Poesia faz menos 
sucesso do que karaokê.
O japonês ri, 
esbofeteia o poeta com karatê.
Já senti o peso das 
palavras.
O poeta quer aprender 
a lutar sumô.
Mas a vida é dura 
e só tu sabe a terra 
que lavras.
Tu sabes o quanto é difícil
fazer sucesso com palavras.

12 de janeiro de 2013

Poema do brechó - abril/2006

Poema do brechó
(atrás de uma nota fiscal de supermercado)



[balança a cabeça]
Os tomates pintados.
Os pássaros opacos.
Currupaco. Currupaco.
O papagaio amarelo gritava “Louro quer biscoito!”
Mas os biscoitos são coisas da vida e não do mundo.
As bolachas de chope de tomate são legais, mas são impermeáveis.
Elas são da vida e não do mundo.
Sempre.
Cláudia diz: “Acho que o significado do poema são coisas que estão aqui, mas não deveriam estar. Vamos pro árabe comer esfihas”.
Renata diz: “Fica aí. Toma mais uma cerveja. E falar sobre as coisas é coisa que não interessa a ninguém”.
Pareceria tão profundo se não fosse tão idiota.
“Idiota é tua mãe e não enche o saco” – disse o papagaio.
Cadê meu biscoito?
Obrigado e volte sempre.


Bar do Brechó Túnel do Tempo – Abril/2006

10 de janeiro de 2013

eu ia colocar esse título

a cavalgada das valquírias é muito intenso
ela casou com o cara mais legal do mundo
e acabou no vietnã imundo
das formas informes os metais reverberam
mundo, imundo, profundo
eu me champ ishmael e tenho uma baleia
que encalhou nas areias da praia
feito convicção desvairada
o bozo voltou!!!
tá todo mundo se fodendo.
acapulcalipse.

(6/6 - apocalipse)

redenção por cândida

um escândalo escandinavo
abalou os escravocatas
indauto só quer amigos
nosso amigos barra pessada.
natão concorda com indauto
negro vida loka autoditada
mal falamos do apocalipse
e eu não vou parar de esculpir bundas
vá lavar sua vida com cândida
quero um escovêlho
na promoção ganhou, ganhou
leva logo essa merda.


(5/6 - apocalipse)

9 de janeiro de 2013

achei coisa boa

se não apanharem a internet,
eu vou morar lá.
um lugar furtivo com bailarinos e marácas,
e os perigos do farol
o faraó se enterrou vivo
um órgão em cada tupperware
meu pau no frigidaire
cadê teu riso, faraó mané?
cadê os perigos do teu farol?
o atendimento não coube
o historiador não soube
mas mendigo triunfou e disse:
"faraó gordito, mais um mês, mais um mês"

(4/6 - apocalipse)

monstros domesticados

a toalha de mesa dança
quando a música toca
ao redor da mesa, bebemos
vocês não escutam nada.

o salame que compramos está bonito.
bravos, cozinhamos.

temos o singular, queremos o plural.
muito do pouco, pouco do muito.
perde a graça com a razão.

envelhecer com razão. não cagar nas calças
o cantor grita e as marcas
se dissolvem com sabonete
são como as primeiras rugas,
os primeiros fios brancos...
a palma da tua mão gostou

(3/6 - apocalipse)